De Jaspe a 26 de Fevereiro de 2009 às 14:25
Olá a todas,
Creio que o meu caso é um pouco diferente e por isso mesmo gostaria de o partilhar convosco. Em Novembro de 2005 numa consulta de rotina foi-me detectada uma ferida e presença do vírus HPV e fui aconselhada a fazer uma conização para remover o tecido afectado. Acabei por conseguir passar a ser seguida no IPO e foi lá que me fizeram a conização. Quando o resultado saiu chamaram-me para me dizerem que não havia nada a fazer, que se tratava de um carcinoma do colo do útero e que como já estava invasivo, a única forma de actuar seria removerem o colo e o útero. Agora imaginem, tal como muitas de vocês, na altura tinha 29 anos e estava precisamente a planear ter filhos e nunca me passou pela cabeça que por ter falhado uma consulta (tinham passado dois anos desde a última consulta e exames ginecológicos) me pudesse vir a acontecer uma coisa destas. A médica na altura disse-me que me podia manter os ovários para eu não entrar em menopausa precoce, mas que não podia manter o útero e que, apesar de achar que a lesão estava bastante localizada e era pequena, ainda nem sabia se teria que fazer radioterapia e quimo após a cirurgia. Parecia que o mundo estava a desabar e nem consegui proferir palavra, apenas chorava na frente da médica. Foi o meu marido que não parou de fazer perguntas. Quis saber se havia alguma alternativa. Não podia ser assim. Havia alternativas para tanta coisa. Se calhar nos Estados Unidos... Ao fim de tanto insistir o meu marido lá conseguiu que a médica lhe dissesse que havia uma técnica usada em França por um Dr. D'Argent, mas que nem sabia bem do que se tratava a técnica e se o Dr. D'Argent ainda seria vivo ou não, mas que certamente teria deixado percusores. A médica marcou-me na mesma a cirurgia radical para 2 de Janeiro, no entanto o meu marido não descansou enquanto não encontrasse uma alternativa. Passou as noites, ele e o irmão, a procurarem na internet informação sobre esta cirurgia alternativa. E encontraram, não só o Prof. D'Argent como o Prof. Querleu e o Prof. Eric Leblanc todos de França. E também encontraram o Dr. Sonoda nos Estados Unidos. Falamos tanto com o Dr. Sonoda que nos disse que os pioneiros desta técnica estavam em França e que dada também a distância, estaríamos muitíssimo em boas mãos com o Prof. Leblanc com o qual já tinhamos falado e que nos disse nos receberia na semana seguinte. E assim foi. Ainda antes de partir para Lille, onde fica o Centre Oscar Lembret do qual é médico o Prof. Leblanc, fomos à segurança social falar do meu caso, baseado numa carta da médica, a pedir apoio para a cirurgia que, como não se faz em Portugal, é necessário recorrer a outro país. Arrancamos para Lille (via Paris) mesmo antes de saber se teríamos apoio financeiro ou não e mesmo sem saber se o Prof. Leblanc poderia mesmo operar-me ou não, pois esta técnica só se pode fazer quando a lesão tem uma dimensão pequena, mesmo que invasiva. No dia 15 de Dezembro tivemos a consulta com o Prof. Leblanc que nos explicou a cirurgia com todos os pormenores. A lesão teria que ter uma dimensão inferior a 2 cm (apesar de que já fizeram com uma lesão superior a 4, no entanto cada caso é um caso) e teria que se garantir isso através de uma ressonância magnética. Mesmo assim só durante a cirurgia, e através de laparoscopia para remover os ganglios linfáticos (ao nível da virilha) que são observados ao microscópio para ter a certeza de que não têm qualquer célula cancerigena, é que se pode fazer a remoção do tecido caceroso, ou seja a remoção do colo do útero, dando uma margem e analisando-a para ter a certeza de que não há qualquer invasão para dentro do útero. Esta técnica é feita via vaginal e é depois é colocada uma cerclage no fundo do útero com um orífíco para poder ter as menstruações e poder vir a tentar engravidar. Claro que me foi explicado que seria sempre uma gravidez de alto e que para engravidar poderia não ser fácil, uma vez que passaria a não ter colo do útero. No entanto, toda a explicação nos pareceu do mais seguro a fazer, pois, a cirurgia seria composta por uma parte de laparóscopia em que me removeriam os ganglios para ter a certeza de que nada de mau estaria ao nível do sistema linfático. Insistimos para que me operasse o mais depressa possível. (continua)
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